BigBang
DO BIG BANG AO HOMO SAPIENS
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E foi assm que tudo começou...
No vazio eterno em que nem o tempo existia, sem que sequer se possa imaginar de onde, quando, como e porque, energia começou a se concentrar e a se condensar, em uma região não definida do nada absoluto. E foi se concentrando e concentrando, condensando e condensando, até que, ao atingir um ponto crítico, tudo explodiu - o Big Bang, gerando uma fantástica temperatura da ordem de 10 quatrilhões de graus centígrados, e espalhando, em todas as direções e com uma velocidade incalculável, uma espécie de "puré", constituido de partículas elementares de matéria : elétrons, neutrinos, quarks e gluons. Era o princípio do Universo.
E foi tão grande a aceleração do impulso centrífugo inicial que, ainda hoje, decorridos 15 bilhões de anos terrestres, o cosmos prossegue se expandindo e, embora num rítmo acelerativo cada vez menor, as galáxias continuam a se distanciar, mais e mais, umas das outras. Nos primeiros centésimos de segundo, a gigantesca temperatura neutralizou a ação das quatro forças, que, carregadas por particulas virtuais, como glúons, fótons, grávitons e bósons, iriam determinar, mais adiante, no tempo que começava, as leis que regeriam a física mecânica universal: a nuclear forte, a eletromagnética, a gravitacional e a radioativa ou nuclear fraca.
Ainda um segundo não havia se completado, quando a temperatura baixou para cerca de 1 trilhão de graus. E então, os gluons começaram a "colar"os quarks que, aglomerando-se em grupos de três, formaram os prótons constituindo os primeiros núcleos do universo: os núcleos de hidrogênio, compostos de um próton (carga positiva +).
E quando a temperatura caiu para em torno de 10 bilhões de graus, a força eletromagnética entrou em ação, atraindo os elétrons (carga negativa -), os quais passaram a girar em orbitais, ao derredor dos núcleos. Estavam formados os primeiros átomos do cosmos: os átomos de hidrogênio (H), com um núcleo de um próton e uma eletrosfera de um elétron. Minutos após, dois átomos de H se fundiram e, ao novo núcleo, se agregaram dois neutrons - carga eletrica 0 - ( originados de uma diferente combinação estrutural de quarks), surgindo, assim, os segundos átomos do universo: os átomos de hélio (He), com um núcleo de dois prótons e dois neutrons e uma eletrosfera de dois elétrons.
Num dado instante, com novo decréscimo térmico, entrou em cena a terceira força, a gravitacional, unindo os átomos em pares e formando as primeiras moléculas de hidrogênio e de hélio. E, durante um longo mas impreciso período de tempo, as moléculas de H e He reinaram, únicas e absolutas, na sopa primordial.
Mais tarde, pouco a pouco, a partir dos átomos de hélio, por diversas combinações, foram se formando todos os minerais, gases nobres e metais que compõem a Tabela Periódica dos Elementos. E os átomos foram constituindo as moléculas. Que foram se agregando e se agregando. E, quanto maiores ficavam os agregados, maior passava a ser sua força gravitacional, atraindo ainda mais matéria. Até que se formaram imensos corpos celestes, carregados de energia e emitindo luz - as estrelas - as quais constituiram as constelações, as galáxias e os conglomerados (clusters) de galáxias.
Muitas das maiores e mais energéticas, dentre essas estrelas primitivas, queimaram sua energia em prazo relativamente curto (cerca de 100 milhões de anos), se contraindo e transformando-se em estrelas brancas ou "anãs". Outras, devido à intensas reações nucleares (transformação de hidrogênio em hélio), acabavam por explodir, gerando fantástica luminosidade - as super novas - e dando origem a outras gerações estelares.
Algumas estrelas, ainda em estágio embrionário, acumulavam, ao seu redor, camadas de poeira interestelar, que iam se solidificando e virando rochas. E, no momento em que a estrela explodia, para "nascer", esses fragmentos rochosos eram lançados ao espaço e, conforme seu tamanho, viravam planetas ou asteróides, passando a orbitar em torno da estrela-mãe. Assim se constituiram os sistemas planetários.
Há mais ou menos 12 bilhões de anos, na periferia de um superconglomerado galáctico denominado Virgo, formou-se uma galáxia que, mais tarde, receberia o nome de Via Láctea.
E, há cerca de 4.5 bilhões de anos, a uma distância de 30 anos-luz do centro dessa galáxia, surgiu, acompanhada de um séguito de nove planetas e um anel de asteróides, uma estrela, relativamente pequena em tamanho e em potencial energético: o nosso Sol e seu sistema planetário.
No terceiro planeta, em decorrência de sua conveniente distância do sol, iriam acontecer, um pouco mais tarde, reações químicas específicas que ensejariam o aparecimento de um fenômeno bastante peculiar e, especulamos, relativamente raro no universo : VIDA.
Alguns fatores especiais contribuiram para que, há 3.5 bilhões de anos, esse fenômeno viesse, de fato, a ocorrer:
1 - Na superfície desse terceiro planeta - chamado Terra ou Gaia, os átomos de hélio passaram a se fundir em grupos de três, dando origem ao elemento carbono (C) e em grupos de quatro, originando o elemento oxigênio (O). E, quando ao grupo de três átomos de hélio, juntou-se um átomo de hidrogênio, originou-se o elemento nitrogênio (N). Estavam constituidas as quatro moléculas ditas "orgânicas", essenciais à formação de vida.
2 - Da fusão do hidrogênio com o oxigênio resulta a substância água e sua existência tem sido constatada em vários corpos do sistema solar. Em Venus, pela alta temperatura do planeta, ela existe em estado gasoso, sob a forma de vapor. Nos satélites de Júpiter e Saturno, pela baixa temperatura, ela existe em estado sólido, sob a forma de gelo. Mas, na Terra, com o passar do tempo, o planeta foi esfriando e a temperatura atingiu o nível ideal para permitir que a água se manifestasse em seu estado líquido. E isso foi decisivo: sem a água líquida, a vida, pelo menos como nós a conhecemos, jamais teria surgido!
3 - Durante quase um bilhão de anos, as condições térmicas e climáticas não foram favoráveis para que as moléculas "orgânicas" desenvolvessem as reações químicas necessárias para transformar matéria inerte em matéria viva. Enquanto a temperatura da Terra era relativamente elevada, H, C, O, e N se associavam sob a forma de dióxido de carbono, gás metano, amônea e vapor d'água.
4 - Mas quando a água se liquefez, constituindo rios, lagos, mares e oceanos, o cenário se alterou. O dióxido de carbono, por exemplo, mergulhou nas águas e se depositou no fundo como carbonato. Protegidas das radiações ionizantes que vinham do espaço, pelos lençóis de água - que ocupavam 3/4 da superfície do planeta, as moléculas "orgânicas" passaram a formar aminoácidos e ácidos nucleicos. Apareceram as longas cadeias de DNA e, num dado instante, há mais ou menos 3.5 bilhões de anos, brotou a vida, começando, possivelmente, pelas bactérias.
A partir daí, as coisas ficaram por conta da Evolução. Formas de vida cada vez mais complexas, em estrutura e especificidade funcional, iam se constituindo, segundo as leis da seleção natural. E os dois grandes reinos, vegetal e animal, foram se desenvolvendo, sob o rígido controle do chamado equilíbrio ecológico.
Há cerca de 5 a 6 milhões de anos, a partir de uma certa espécie de chimpanzés, ocorreu uma mutação genética, originando a linhagem dos homonídeos. Surgiu então o grupo dos Australopithecus, os pré-homos. Que foram evoluindo para gerar, em sucessivas mutações, a sequência dos Homos: Homo habilis (há 1.9 milhões de anos), Homo erectus (há 1.7 milhões de anos), Homo sapiens (entre 400 mil e 200 mil anos) e Homo sapiens sapiens ( há 150 mil anos, aproximadamente).
A espécie Homo sapiens, da qual emergeria o homem moderno, desenvolveu-se, certamente, a partir do Homo erectus. Mas onde isso teria ocorrido é assunto ainda controvertido.
Há duas teorias: a multi-regional e a uni-regional, esta última também conhecida como a hipótese da "mãe Eva" - por estar baseada em reconstruções antropológicas feitas através de DNA mitocondrial (o qual é exclusivamente transmitido pela genitora).
Segundo a teoria multi-regional, em torno de 300 mil anos atraz, em várias regiões do planeta, os Homo erectus locais evoluiram no sentido dos Homo sapiens os quais, há, aproximadamente, 150 mil anos, se transformaram em sua última expressão: o Homo sapiens sapiens. Assim, conquanto toda a espécie humana tivesse uma única origem primordial - a linhagem dos homonídeos, ela passou, ao evoluir de Homo erectus para Homo sapiens, por um processo de diferenciação regional. Essa multi-regionalidade, em decorrência das diferenças climáticas e topográficas entre as regiões envolvidas, talvez explique as diferentes características físicas hoje observadas entre as raças humanas.
Para os defensores da teoria uni-regional, é outro o cenário evolutivo: há cerca de 300 mil anos, no corno da África oriental (onde hoje se situam a Etiópia e a Somália), o Homo erectus evoluiu para o Homo sapiens, o qual, 150 mil anos mais tarde, se transformou no Homo sapiens sapiens (Hss), o nosso ancestral direto, do qual, em termos de genoma, em quase nada diferimos. E, a partir deste "berço africano", os Hss começaram a migrar para povoar o planeta. Um grupo foi para o sul da África. Outro para a Europa. Um terceiro dirigiu-se para a Ásia e, possivelmente, um quarto migrou para a Oceania. Os "asiáticos" subiram depois para a Sibéria, atravessaram o Estreito de Bering e alcançaram a America do Norte. Os Hss que, tempos mais tarde, surgiriam nas Américas Central e do Sul, podem ter também vindo da América do Norte. Porém, por suas características físicas, mais provavelmente vieram da Oceania.
A descoberta, em 1975, no local denominado Lagoa Santa, no Estado de Minas Gerais, do fóssil da caveira de uma mulher negra, apelidada de Luzia e datando, possivelmente, de 11500 anos atraz, dois milênios antes da chegada dos grupos que vieram através do Estreito de Bering, leva-nos a admitir que alguns dos primeiros ancestrais dos nossos indígenas tenham, de alguma forma, migrado diretamente da África, ou através da Oceania, num processo rápido, não permitindo que alterações climáticas adaptativas alterassem seu aspécto nitidamente negroide. E certamente ela não migrou só.
Consequentemente, há que se admitir, também (e essa é uma hipótese pessoal), que muitos dos ancestrais de nossos atuais selvícolas tenham resultado do cruzamento entre polinésios e negros e, talvez ainda, "asiáticos" ou mongólicos. De certo, no futuro, com a descoberta de novos fósseis desses ancestrais, esta hipótese poderá ser confirmada ou descartada pelos testes de DNA.
A prevalecer a teoria uni-regional, as diferentes características fisicas entre as raças, consequentes às peculiaridades da topografia e do clima, teriam ocorrido, portanto, mais tarde, após a diáspora dos Homo sapiens sapiens, quando eles deixaram o "berço africano" e sairam pelo mundo afora...
Esta era a história que tínhamos para contar: um resumo das origens do Universo, da Terra e da Humanidad. Uma história que já tinha sido contada, com muito mais detalhes e maior densidade científica, por outros, como no magnífico livro ORIGINS, editado em 1998 pela Arcade Publishing Inc.
Uma história cheia de lacunas, muitas das quais, assim julgamos, nunca serão preenchidas. Algumas porque os conhecimentos que poderiam tê-lo feito, não chegaram até nós; ficaram perdidos nas brumas dos "bilênios". E outras por representarem, de fato, mistérios insondáveis.
E o maior dos insondáveis não é o Universo. Este, pelo menos, possui uma data provável de nascimento e presumivelmente, terá, num futuro longínguo, uma eventual data para morrer. O gigantesco, o fantástico, o inescrutável mistério é aquele Nada, o vazio absoluto, eterno, atemporal e infinito, dentro do qual o nosso Universo nasceu e, segundo muitos, continua ainda a se expandir.
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